A Euro Securitizadora, empresa do Grupo Euro17 sediada na Faria Lima, em São Paulo, deixou de honrar pagamentos a parte de seus investidores desde junho. A companhia captou recursos por meio da venda direta de debêntures a mais de 4 mil pessoas físicas, prometendo retornos de até 19% ao ano em títulos com prazo de 12 a 24 meses.
O caso já resultou em ações judiciais movidas por investidores e reacende uma discussão recorrente entre quem acompanha esquemas de captação irregular: até que ponto uma oferta de retorno fixo, alto e constante, feita fora da supervisão de reguladores financeiros, é sustentável.
O que aconteceu com a Euro Securitizadora
O último balanço divulgado pela empresa apontava passivo de R$ 741 milhões. A carteira de crédito apresenta inadimplência de 37,8%, o que significa que menos de um terço dos contratos segue sendo pago normalmente.
Diante da falta de pagamento, investidores recorreram à Justiça. Em um dos processos, a 1ª Vara Empresarial de São Paulo determinou o bloqueio de ativos da empresa. Outros pedidos semelhantes, em varas diferentes, foram negados, o que mostra que o entendimento judicial sobre o caso ainda está em construção.
No Reclame Aqui, o número de queixas já passa de 70, a maioria relatando atrasos de 60 a 79 dias no recebimento dos valores prometidos.
A investigação da CVM que foi arquivada
Um ponto que chamou atenção de quem acompanha o mercado de capitais: a Comissão de Valores Mobiliários chegou a abrir uma investigação sobre o Euro17 no passado, mas o processo foi arquivado. A empresa segue operando fora da supervisão do Banco Central e sem agente fiduciário independente representando os investidores, proteção comum em emissões públicas de dívida.
Essa combinação (captação de grande volume de recursos de pessoas físicas, promessa de retorno fixo elevado e ausência de supervisão contínua) é um padrão que o IPGE já observou em outros casos acompanhados pelo instituto.
O que os investidores da Euro Securitizadora devem considerar agora
Quem investiu na Euro Securitizadora e está com pagamentos atrasados deve reunir toda a documentação relacionada à aplicação: contrato de debênture, comprovantes de investimento, extratos de rendimento e qualquer comunicação trocada com a empresa, seja por e-mail, WhatsApp ou plataforma própria.
Organizar essas informações desde já facilita a análise do caso e a eventual atuação coletiva de investidores, que costuma fortalecer a posição de quem busca reaver valores aplicados.
Como o IPGE pode orientar
O IPGE é um instituto sem fins lucrativos que atua na organização e orientação de investidores envolvidos em casos como este. Quando necessário, os casos são encaminhados a escritórios jurídicos conveniados especializados em fraudes financeiras, responsáveis pela análise individual e pelas medidas cabíveis.
Se você foi impactado por golpes financeiros ou tem dúvidas sobre seus direitos, nossa equipe pode orientar você de forma responsável e transparente.